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Produção multimídia

Depois de algum tempo sem postar por aqui, retomo a prática. No momento, aproveito para compartilhar a experiência multimídia que tivemos com alunos da turma de Comunicação Social/Jornalismo da Uern, durante realização de uma atividade para disciplina de Jornalismo Impresso (e digital). Abaixo seguem as três reportagens multimídia produzidas pela turma do 5º Período do curso. Um material muito bom. Basta clicar em cima da imagem para ter acesso ao material.

O desafio das narrativas jornalísticas

Encontrei esse texto do professor Carlos Castilho no Observatório da Imprensa. Muito bom. Uma explicação clara e objetiva do principal desafio da narrativa jornalística contemporânea. Espero que gostem.

@marchezan

Jornalismo multimídia online desafia rotinas e valores da profissão e da sociedade

Por Carlos Castilho

Quando se tenta avançar da justaposição pura e simples de áudio,imagens, texto e interatividade para um modelo mais integrado de narrativa multimídia, o principal obstáculo não são as tecnologias mas simvalores entranhados há séculos na cultura ocidental e que nos transformaram em escravos do texto.

Esta lição está sendo aprendida, há duras penas, pelos estudantes de comunicação tanto da graduação como da pós-graduação, bem como pelos jornalistas que desafiam os procedimentos convencionais para explorar o território das histórias contadas por meio de sons, vídeos, texto e por redes sociais.

O jornalismo multimídia online ainda é um sonho mas estudos teóricos feitos nos Estados Unidos e Europa indicam que ele vai gerar uma nova narrativa cujo poder de envolvimento do leitor supera tudo o que a humanidade experimentou, até agora, em matéria de contar histórias.

A narrativa jornalística multimídia vai permitir a “imersão virtual” do público na notícia ao incorporar o impacto visual, o condicionamento sonoro, a interpretação pelo texto e o compartilhamento de experiências por meio das redes sociais. Por enquanto a gente só pode imaginar como será e limitar-se a adivinhar quando isto se tornará uma realidade.

Mas o caminho está cheio de dificuldades bem concretas. A primeira delas foi a resistência das empresas de comunicação em alocar os recursos financeiros para financiar a transição ao jornalismo multimídia integrado. As incógnitas tecnológicas eram muitas, o modelo convencional de negócios das empresas entrou em crise e a opção adotada quase que por unanimidade foi incorporar a expressão multimídia no marketing corporativo mas promover uma justaposição de áudio, texto, imagens e um simulacro de rede em plataforma Web.

Agora estamos começando a descobrir que os obstáculos ao jornalismo multimídia online não se limitam a questões financeiras ou corporativas. A dificuldade dos profissionais e estudantes de desenvolver narrativas jornalísticas integradas do ponto de vista da multimídia tem a ver também com o rompimento de uma cultura onde os sons e imagens foram sufocados pela tradição da escrita como forma preferencial de comunicação.

A tradição oral foi mantida apenas em grupos sociais isolados, como é o caso de indígenas. Nós perdemos a capacidade de contar histórias pela via oral. Para constatar isto basta ir a redação de um telejornal ou de uma emissora de rádio, onde as notícias são escritas para serem lidas, quando o normal seria que os apresentadores simplesmente contassem a história do que está acontecendo.

Ou peça para um estudante fazer uma apresentação verbal de improviso. O curto circuito mental é inevitável. O mesmo acontecerá se você pedir para que façam um desenho sobre a dívida externa. Há uma paralisia mental imediata pela nossa dificuldade de imaginar. Locutores profissionais de larga experiência, simplesmente entram em pânico na hora de contar uma história sem script.

O jornalismo da TV Globo gastou quase 20 anos para levar os repórteres de campo a se libertar do texto escrito na hora de narrar uma reportagem. Houve até uma fase em que os profissionais escreviam o texto, gravavam em fita de áudio e depois reproduziam diante da câmera, como se fossem ventrílocos, o que ouviam num minúsculo fone de ouvido.

A narrativa multimídia integrada nos obriga a aprender uma maneira inteiramente nova de transmitir notícias e informações. Nossa cultura informativa nos induz imediatamente a uma narrativa seqüencial, lógica e racional. Corremos imediatamente para o papel ou para o computador.

Na multimídia, enquanto o processo narrativo não se tornar automático, teremos que pensar nos componentes visuais, auditivos, textuais e interativos de uma notícia, antes de começar a detalhá-la. Isto equivale a ver qual o seu conteúdo em ação (para ser contada em imagens), o seu contexto (causas e consequências, cuja apresentação fica melhor em texto), emoção (som ambiente, música ou locução) e coleta de experiências do público (por meio das redes).

Esta reorganização mental das inúmeras variáveis na hora de produzir uma notícia multimídia é o grande desafio que enfrentam os profissionais, estudantes e pesquisadores do jornalismo.  

"Há casos em que basta uma frase e, pronto. A vida se transforma. Fica colorida, renovada, possível. O fardo acumulado desaparece, e ficamos prontos para viver tudo de novo. Amores, paixões, conquistas, sonhos, desilusões, fracassos, até que o ciclo se feche e dê início a outro. Viver é isso: uma constante volta ao começo".

Da crônica “O tempo de amar é hoje”, que escrevi para a Revista Contexto do próximo mês.

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Manuel Bandeira, poeta. Retirado do blog do amigo Carlos Santos.

Deu vontade de começar o sábado com Samba do Grande Amor. Música formidável, e a melodia então… Para completar, só sendo Djavan, Chico e Gal interpretando. Bom sábado a todos.

Nesta sexta-feira, o baixinho Romário - agora deputado federal - esteve em Mossoró para participar de evento ligado ao combate às drogas. Confira como foi a chegada dele à cidade e trechos de sua entrevista.

@marchezan

No Dia Internacional da Fotografia, uma homenagem aos colegas que conseguem captar um pouco da beleza e dos dramas da vida e registrar em belas imagens. Fotos: 1 e 2 (Carlos Costa), 3 (Fred Veras), 4 e 5 (Cézar Alves).

@marchezan

O problema principal é que, antes da internet, todas essas empresas (comunicação) vendiam informação através de suportes materiais. Só que, já um pouco hoje e certamente no futuro, não haverá suportes físicos para levar a informação. É preciso se adaptar de uma situação em que se distribuíam e vendiam objetos físicos até outra, em que se distribui e se vende informação na rede. É uma transição enorme, e é provável que muitas dessas companhias não sobrevivam à necessidade de sair de uma era em direção à outra. Há milênios, muitos dinossauros morreram numa transição parecida.

Pierre Lévy, em entrevista a O Globo

Lévi: o profeta digital

Para quem gosta e acompanha as discussões sobre transformações provocadas pela era digital, uma ótima dica é a entrevista do pensador Pierre Lévy ao jornal O Globo. Lévy vem ao Brasil em setembro para uma série de debates sobre o assunto. Confiram a entrevista de André Miranda:

 

Há 20 anos, quando a maioria da população do mundo não tinha a menor ideia do que era a internet, o filósofo francês Pierre Lévy já estava de olho no futuro, com seus estudos sobre cibercultura e inteligência coletiva. Hoje, Lévy é uma referência, um estudioso cujas pesquisas ajudaram no desenvolvimento de ferramentas fundamentais para muitos de seus críticos do passado - entre eles, um bom número de jornalistas -, como a Wikipedia e as redes sociais.

Clleber Passus / Fronteiras do Pensamento - 14 de Agosto de 2007.  Foto DivulgaçãoAtualmente morando no Canadá, onde leciona na Universidade de Ottawa, esse profeta digital está a caminho do Brasil, para participar, no dia 25, às 19h30m, de um debate ao lado de Gilberto Gil, sobre o tema “o poder das palavras na cibercultura”, no Oi Futuro Flamengo. A mesa faz parte da programação do projeto Oi Cabeça e tentará responder à difícil questão sobre o espaço que a escrita ocupa na esfera digital.

Em entrevista por telefone ao GLOBO, Lévy falou do uso das redes sociais, do futuro das mídias tradicionais, de como o preconceito contra a internet foi sendo modificado ao longo do tempo e do trabalho para desenvolver a Information Economy Meta Language (IEML), uma nova linguagem para a web à qual ele vem se dedicando nos últimos anos.

Enquanto conversamos, o primeiro-ministro David Cameron sugere que a Inglaterra crie alguma forma de controle das redes sociais, a fim de evitar as manifestações vistas na semana passada. O que o senhor acha da ideia?

PIERRE LÉVY: É uma sugestão bastante absurda. É a grande maioria da população inglesa que usa as redes sociais, e não apenas uma pequena quantidade de criminosos. Além disso, os criminosos usam as estradas, os telefones, qualquer forma de se encontrar ou de se comunicar. Não há nada específico que justifique responsabilizar as redes sociais. Sou contra qualquer tipo de censura na internet, tanto política quanto de opinião. E vale lembrar que a polícia também pode se utilizar das redes sociais para encontrar os criminosos. A mídia social pode ser uma ferramenta de combate ao crime como qualquer outra.

A intenção de Cameron lembra críticas feitas contra a cultura digital há quase 20 anos. Naquela época, em suas palestras, o senhor dizia que o preconceito das pessoas contra a cibercultura se assemelhava ao preconceito contra o rock’n’roll nos anos 1950 e 1960. Alguma coisa mudou?

PIERRE LÉVY: Sim, houve mudanças. Naquele tempo, as pessoas diziam que a internet era uma mídia fria, sem emoções, sem comunicação real. Mas hoje, com a mídia social, as pessoas compartilham músicas, imagens e vídeos. Há muitas emoções circulando nesses espaços de comunicação. O que acontecia antes era que as pessoas não sabiam do que estavam falando. O preconceito, na maioria das vezes, é gerado pela ignorância. Até mesmo com vocês, jornalistas, isso mudou. Eu lembro bem que naquela época os jornalistas tinham todo o tipo de preconceito com a comunicação digital, e hoje todos estão usando essas ferramentas.

Mas alguns grupos de entretenimento e mídia ainda tentam controlar e restringir as possibilidades da internet, sob o temor de perder rentabilidade que tinham com a venda de CDs, DVDs ou publicações impressas. O que o senhor acha que vai resultar desse embate?

PIERRE LÉVY: O problema principal é que, antes da internet, todas essas empresas vendiam informação através de suportes materiais. Só que, já um pouco hoje e certamente no futuro, não haverá suportes físicos para levar a informação. É preciso se adaptar de uma situação em que se distribuíam e vendiam objetos físicos até outra, em que se distribui e se vende informação na rede. É uma transição enorme, e é provável que muitas dessas companhias não sobrevivam à necessidade de sair de uma era em direção à outra. Há milênios, muitos dinossauros morreram numa transição parecida.

O senhor está dizendo, então, que os grupos de mídia são dinossauros?

Os grupos de mídia que não se adaptarem ao novo momento, em que as comunicações são completamente descentralizadas e mais distribuídas, serão dinossauros e vão morrer.

Mas o que vai substituir a maneira como consumimos notícias hoje?

Eu acho que as notícias serão consumidas através das redes sociais, como Twitter, Facebook ou Google+. A mídia social permite que você escolha suas fontes e ordene suas prioridades entre as fontes. Você pode personalizar a forma como vai receber as notícias. Será assim no futuro: o usuário terá a habilidade de priorizar as fontes e os temas e escolher deliberadamente o que ele quer saber. Será uma atividade que a próxima geração já vai aprender a fazer nas escolas.

Alguns críticos, porém, costumam dizer que as ferramentas de internet que temos hoje não permitem um acesso democrático à informação. O Google, por exemplo, cria um ranking de resultados que de certa forma guia sua busca…

Espera um pouco. Você não pode acusar o Google de não ser democrático. O Google não é um governo, é uma empresa. Ele lhe oferece um serviço, e ele vende anúncios que serão vistos pelo usuário para se manter. Essa discussão não passa por democracia. O que eu posso dizer é que o ranking formado pelos algoritmos do Google é bastante primitivo. São mínimas as possibilidades de personalização de seu ranking. No futuro, especialmente graças a meu IEML (risos), todos poderão ser capazes de organizar sua própria ferramenta de busca de acordo com suas prioridades. Hoje, o Google praticamente oferece um mesmo serviço para qualquer tipo de pessoa.

Em que ponto estão as pesquisas do IEML?

Eu publiquei neste ano o primeiro volume, “La sphère sémantique”, e agora estou trabalhando no segundo volume. O volume 1 é sobre a origem filosófica e semântica da linguagem. Já o volume 2 vai trazer um dicionário e explicar como utilizá-lo. Deve ser lançado no ano que vem. É um projeto longo, não dá para esperar ferramentas práticas nos próximos meses, mas espero que nos próximos cinco anos possamos ver algumas aplicações.

Que aplicações o senhor espera?

O argumento principal é o da interpretação coletiva da web. É difícil dizer exatamente que tipo de aplicação. A ideia é dar às comunidades uma representação científica de seu próprio processo de comunicação. Ele poderá se assemelhar a um grande circuito de conceitos, onde você observa a circulação de emoções e atenções. Isso poderá ser utilizado para marketing, educação, comunicação e pesquisa, por exemplo. Será uma nova forma de representar a relação entre conceito e ideias na internet. O sistema de escrita que usamos hoje na web é desenhado para mídia estática. Nós ainda temos que desenvolver sistemas simbólicos de escrita que sejam capazes de explorar todas as capacidades de um computador.

O senhor usa bastante as redes sociais?

Sim, estou no Twitter, no Facebook, no Google+ e em muitas outras. Mas não recomendo isso para ninguém, é preciso muito tempo para acompanhar tudo. Eu estou em tantas redes porque é meu trabalho, preciso saber do que estou tratando. Entre todas, o Twitter é a de que mais gosto, porque ele é prático e rápido para receber e procurar informações.

Quanto tempo por dia o senhor passa conectado?

Eu fico praticamente o tempo todo conectado. Consulto enciclopédias e dicionários na internet. Ouço rádios on-line. Acho que só não estou conectado quando estou dormindo. Mas, em relação a trocar e-mails e mensagens através de redes sociais, passo de uma a duas horas por dia nessas atividades. E não assisto a TVs nem leio jornais em papel. Só leio notícias na internet.

E livros em papel?

Eu tenho um tablet, mas estou velho e ainda prefiro ler livros no papel. Certamente, no futuro, a grande maioria dos livros será lida nos tablets ou em periféricos como o Kindle, muito pela possibilidade de interatividade. Os livros passarão a ser escritos dessa forma, com esse objetivo.

No Rio, o senhor vai participar de uma mesa de debate com Gilberto Gil. O senhor conhece a obra dele?

Eu já me encontrei com o Gil pessoalmente. Ele é um grande músico, um grande artista. Mas, além disso, também é uma pessoa que tem um pensamento bastante instigante sobre as consequências da revolução da mídia e da cultura. Será bom debater com ele.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/08/15/especialista-em-cibercultura-frances-pierre-levy-critica-intencao-inglesa-de-controlar-redes-sociais-fala-sobre-futuro-dos-livros-925136026.asp#ixzz1VFafOhxN 
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1º Seminário De Fato de Jornalismo

Buscando promover uma discussão de qualidade sobre o jornalismo, em seus diversos segmentos, o Jornal De Fato realiza, de 10 a 14 de agosto, o 1º Seminário De Fato de Jornalismo. O evento faz parte da programação da Feira do Livro 2011 e contará com seis mesas-redondas, com profissionais do veículo e jornalistas convidados. Os debates acontecerão às 20h, no estande do jornal, na estrutura montada na Estação das Artes Elizeu Ventania. As inscrições são limitadas e podem ser realizadas na sede do jornal, na Avenida Rio Branco, 2203.

A programação do seminário conta com as seguintes mesas-redondas: Jornalismo de Revista, Jornalismo Esportivo, Contando histórias em imagens, A investigação na reportagem policial, Os caminhos da reportagem e A função da arte: jornalismo, infografia e HQ. Da equipe do De Fato, participam do evento os jornalistas: Higo Lima, Izaíra Thalita, Janaína Holanda, Paulo Sérgio Freire, Fábio Oliveira, Magnos Alves, Marcos Santos, Cézar Alves, Marcelo Bento, Andrey Ricardo, Edilson Damasceno, Esdras Marchezan, William Robson e os ilustradores Neto Silva e Rick Waekmann.

Para deixar as discussões ainda mais interessantes, o seminário conta também com as presenças de Fabiano Morais/repórter Sportv e InterTV Cabugi, Moisés Albuquerque/TCM, Fred Carvalho/Tribuna do Norte, os fotógrafos Canindé Soares e Fred Veras, e do repórter Luiz Henrique Campos, do jornal O Povo/CE, vencedor de oito prêmios jornalísticos, entre eles um Esso e uma menção honrosa internacional pela qualidade da cobertura jornalística feita por ele e equipe do furto ao Banco Central, em Fortaleza.

Para o chefe de reportagem do De Fato, Esdras Marchezan, a idéia do evento surgiu principalmente da necessidade de eventos locais com provocações interessantes sobre a função jornalística e seus desafios. “A equipe do jornal vem contribuir com esse projeto, levando ao público uma discussão que muitas vezes fica restrita à redação do jornal. A intenção é que estudantes e colegas de profissão possam participar e debater junto com os participantes”, revela.